Embora a ansiedade possa parecer uma experiência desagradável, ela nem sempre é um problema. Muitas vezes funciona como um “sistema de alerta” que nos ajuda a perceber e lidar com situações de risco. Pense em atravessar a rua enquanto envia uma mensagem no celular e NÃO sentir ansiedade sobre a possibilidade de ser atingido por um carro! A ansiedade que sentimos naturalmente nos ajuda a prestar atenção ao que está acontecendo ao nosso redor e evitar um desastre.
No entanto, quando a ansiedade começa a limitar nossa capacidade de lidar com as tarefas do dia a dia e passa a afetar nossa autoestima e confiança, ela se torna um desafio que precisa ser cuidado.
Sentimentos de ansiedade intensos e intrusivos que impactam negativamente nossa vida muitas vezes têm origem em partes mais jovens de nós mesmos e/ou em experiências traumáticas. Essas partes frequentemente ficam presas no passado — em momentos em que nos sentimos ameaçados e não tínhamos os recursos necessários para lidar com a situação, além de sentir medo e ansiedade.
A ansiedade também pode estar ligada a uma baixa confiança em nosso Self e nos outros, fazendo com que questionemos constantemente nossas próprias decisões. Muitas vezes ela aparece associada a partes críticas e julgadoras, que desencadeiam sofrimento e frequentemente nos condenam por nossas ações, pensamentos ou sentimentos.
Explorando nossa parte ansiosa
E se, em vez de tentar eliminar a ansiedade ou suprimi-la, pudéssemos acolher essa parte de nós com curiosidade e empatia?
Ao fazer isso, abrimos espaço para compreender melhor os medos, incertezas ou desconfianças que estão por trás das emoções ansiosas. Esse processo nos permite conhecer melhor a nós mesmos e desenvolver caminhos mais saudáveis para a cura. A abordagem Sistemas Familiares Internos (IFS) considera essa experiência um elemento central do processo terapêutico.
Quando aceitamos partes de nós que talvez tenhamos vontade de afastar, damos a elas a oportunidade de serem compreendidas e validadas. Isso nos ajuda a curar feridas antigas e seguir em frente de forma mais adaptativa.
A realidade é que, ao longo da vida, haverá momentos em que nossas partes ansiosas irão aparecer, especialmente diante de desafios. No entanto, ao aprendermos a nos relacionar com essas partes de maneira mais consciente e compassiva, podemos lidar com elas de forma mais eficaz, diminuindo seu impacto negativo em nossa vida.
Trabalhando com a perspectiva do IFS
Explorar a ansiedade como uma parte de nós mesmos, com uma atitude aberta e curiosa, cria oportunidades importantes para a cura e para o desenvolvimento de novas formas de lidar com essas emoções.
Esse processo nos convida a uma jornada de autoconhecimento, na qual identificamos sentimentos e gatilhos mais profundos, aprendendo maneiras de responder a eles e ressignificar seu papel no presente.
Com isso, passamos a assumir um papel ativo em nosso próprio processo de cura, tornando-nos nossos melhores apoiadores e defensores — vivendo com mais autenticidade, em vez de agir a partir do medo ou da reatividade.