Em geral, pensamos no autocontrole como uma característica positiva. Ele nos ajuda a manter as emoções sob controle, permite que sigamos nossos planos e previne comportamentos excessivamente impulsivos.
Mas a verdade é que o autocontrole pode ser uma faca de dois gumes. Assim como muitos de nossos traços, ele pode, em certos momentos, tornar-se contraproducente, causando mais prejuízos do que benefícios.
Ser excessivamente controlado, um traço de personalidade que envolve uma quantidade exagerada de autocontrole, está associado a:
- Seguir regras de forma rígida
- Evitar riscos
- Adiar constantemente a gratificação
- Preocupar-se excessivamente em ser justo(a) e moral
- Enfatizar responsabilidades
Essas tendências costumam reduzir comportamentos impulsivos e agressivos, além de aumentar a confiabilidade e o desempenho. No entanto, quando em excesso, podem causar os seguintes “efeitos colaterais”:
- RESTRIÇÃO EMOCIONAL
- INTERNALIZAÇÃO DE PROBLEMAS
- ISOLAMENTO SOCIAL
- Sensação de desconexão
- Dificuldades nos relacionamentos
- Ansiedade
- Depressão
RESTRIÇÃO EMOCIONAL
Muitas vezes aprendemos, desde cedo, que nem sempre é permitido nos expressarmos plenamente e que demonstrar emoções negativas não é socialmente aceitável. Porém, a exigência de controlar nossos sentimentos pode se tornar excessiva. Manter as emoções reprimidas acaba se tornando um fardo, impedindo-nos de nos compreender melhor e de nos abrir de forma adequada com parceiros, amigos e familiares.
ISOLAMENTO SOCIAL
Quando restringimos nossas emoções, não conseguimos empatizar e nos conectar adequadamente com os outros. Isso interfere na formação de novos vínculos interpessoais, e os relacionamentos que já temos tornam-se superficiais e carentes de profundidade, levando-nos a abandoná-los e a nos isolar ainda mais. Isso cria um ciclo vicioso.
INTERNALIZAÇÃO DE PROBLEMAS
E então a situação piora… Quanto menos pessoas temos ao nosso redor para conversar, maior a probabilidade de ficarmos presos em nossos próprios pensamentos. Quando não recebemos perspectivas externas, é mais provável que passemos a nos culpar de forma irracional por nossos problemas ou fiquemos presos a padrões de pensamento desesperançosos e fatalistas. Em níveis mais extremos, essa tendência pode levar ao que chamamos de transtornos internalizantes, que incluem ansiedade e depressão.
ABANDONANDO COMPORTAMENTOS DE EXCESSO DE CONTROLE
Comportamentos excessivamente controlados são comuns e, provavelmente, todos conseguem reconhecer algo familiar na descrição acima. A boa notícia é que, ao reconhecer o problema, já estamos prontos para começar a trabalhar em uma solução!
A terapia pode nos ajudar a aprender a ser mais flexíveis e abertos a novas situações, a expressar melhor nossas emoções, tanto verbal quanto não verbalmente, e a nos conectar de forma significativa com as pessoas ao nosso redor. Começamos a modificar nossos traços de excesso de controle e, à medida que percebemos as mudanças, passamos a:
- Conectar-nos melhor com as pessoas
- Sentir-nos compreendidos e aceitos por quem somos
- Abrir-nos emocionalmente
- Superar o perfeccionismo
- Ser a melhor versão de nós mesmos
- Desenvolver a autoaceitação